Cancerofobia – o que é?

Cancerofobia – o que é?

Cancerofobia é um termo que tem sido utilizado para designar pessoas que desenvolvem uma fobia – medo exagerado – de desenvolver câncer.

Alguns grandes problemas desse quadro:

  1. A pessoa se submete a tratamentos ou ingere substancias sem efeitos cientificamente comprovados, que podem trazer complicações para sua saúde.
  2. O indivíduo ocupa demasiadamente seu tempo tentando se prevenir do câncer. Entretanto infelizmente não existe comprovação cientifica de causas determinantes para o câncer.  O câncer é multi determinado, ou seja, não há uma causa específica mas vários condições envolvidas .  O problema é que tal dedicação gera prejuízos emocionais e sociais pois deixa de fazer uma série de coisas pelo medo de ter câncer.
  3. O paciente com câncer busca alternativas milagrosas, podendo se expor a condições que prejudiquem seu quadro clinico.

A cultura da informação

É imprescindível a divulgação das formas de prevenção e de tratamento do câncer e de quaisquer outras doenças.

Porém a disseminação indiscriminada de informações certamente tem proporcionado o desenvolvimento de comportamentos desajustados.

A internet, os blogs, as publicações, os sites têm trazido informações uteis.  Mas infelizmente  também têm espalhado remédios milagrosos, tratamentos surpreendentes, chás e alimentos que evitariam ou câncer.  Além também de afirmar que diversos alimentos e substâncias químicas são os causadores do câncer.  Porém nada disso é consistentemente comprovado pela ciência.

Em decorrência desse “consumismo informativo” nos deparamos com a necessidade de saber o máximo possível.

Nossa cultura passou de formativa, para informativa.   Ou seja, buscamos informações, mas não consideramos as origens das mesmas, a fidedignidade dos dados… consumimos as informações, mas pouco as avaliamos.

Numa busca rápida pela internet encontrei que:

  • usar desodorante causa câncer
  • ingerir açúcar ou sódio causa câncer
  • não comermos carne vermelha evita câncer
  • tomar chá diariamente protege do câncer

Mas se essas informações fossem realmente verdadeiras para todos os casos, a comunidade científica já teria encontrado a cura para todos os tipos de câncer!

Devemos utilizar sim as informações para mantermos uma vida saudável em todos os aspectos: alimentação, exercícios regulares, relaxamento, meditação, equilíbrio emocional, fazer check up regularmente.  Mas não podemos utilizar as informações de forma generalizada e indiscriminada.

 

O problema da fobia

O problema é utilizar informações não validadas, na expectativa de resolver um problema para o qual ainda não existe resposta.

A urgência em querer saber dos novos dados disponíveis, das novas possibilidades ou medicações, logo vai se deparar com a impossibilidade de conseguir acompanhar a rapidez com que as informações são disponibilizadas –  e isso gera grande frustração e grande ansiedade.

Quando estamos ansiosos esperamos obter respostas imediatas, e daí surge o comportamento de seguir todas as sugestões encontradas na internet.   Essa conduta exagerada se torna perigosa, pois a pessoa passa a se submeter a inúmeras exposições desnecessárias.  Ela desenvolve uma fobia – um medo exagerado de desenvolver o câncer e faz de tudo o que encontra para tentar evita-lo.

A pessoa passa a viver para evitar o câncer e não para ser feliz. Está instalada a cancerofobia.

Com isso ela perde os momentos importantes de sua vida, fazendo coisas que não tem comprovação cientifica de que levem ao resultado esperado.

E inclusive o paciente com câncer, quando desenvolve cancerofobia, pode se envolver em tratamentos que prejudicam sua qualidade de vida e que pioram o estágio da doença.

 

Por que não adianta ter medo do câncer?

Ninguém quer ficar doente, ninguém quer morrer, mas as pessoas fóbicas esquecem de viver!  Esse é o maior problema da cancerofobia.

 Ainda não conhecemos especificamente as causas de todos os cânceres.  Cientificamente temos dados que comprovam diversos fatores que propiciam o desenvolvimento da doença, mas ainda assim não podemos generalizar que todas as pessoas que estão expostas ao sol por mais de X tempo desenvolverão câncer de pele, pois algumas não desenvolvem.

O câncer é multifatorial, ou seja, é uma combinação de componentes do ambiente com a carga genética do indivíduo e seus hábitos cotidianos.  Por isso é tão difícil generalizar a prevenção e também o tratamento.

Cada tipo de câncer é específico para cada tipo de paciente, pois cada organismo reage de uma maneira diferente aos medicamentos e tratamentos disponíveis.

Não é possível controlarmos o surgimento da doença.

Então temos duas opções:

  1. Nos tornarmos escravos dos ditos milagres para a prevenção do câncer, nos submetendo a alternativas não comprovadas.
  2. Adquirimos hábitos saudáveis e vivermos nossas vidas com todas as dificuldades que ela nos impõe.

Quando temos medo vivemos no futuro.  Mas não conseguimos estar em dois lugares ao mesmo tempo, o que significa que nosso presente estará passando e nós não estaremos aproveitando.

Medo de ficar doente – todos nós temos.

Mas é possível viver e ser feliz, mesmo sentindo medo.

A escolha é sempre sua!

Como falar sobre a morte

O que é a morte?  O que é morrer?

Nunca ouvi alguém dizer que gosta de falar sobre o assunto.  Entretanto a morte é o único fato que nos iguala, que nos aproxima, que nos torna comuns – como uma flor, um bicho ou um amor.  Tudo morre.  Tudo o que está vivo, um dia se findará.

Então por qual motivo temos tanto medo do final?  Talvez seja pela falta de controle sobre o momento em que acontecerá?  Ou será por desejarmos termos mais e mais tempo para fazer tudo aquilo que desejamos?

Então fico aqui pensando:

se queremos mais tempo, então…

E se em vez de nos preocuparmos tanto sobre quando o morrer chegar… nos dedicássemos ao bem viver?  Se não tentarmos controlar o tempo, mas o nosso pensamento, o destinando somente aos nossos amores e desejos intensos?

E se em vez de cultivarmos o stress, déssemos chance para o nascimento da paz interior?  Aquela que encontramos quando conseguimos viver a intensidade de um momento, a felicidade de um beijo, a doçura de um abraço ou o acalanto de uma palavra de afeto?

E se em vez de questionarmos o mundo questionássemos a nós mesmos:  o que estou fazendo com a minha vida?  A quem estou dedicando minhas ações?  Que tipo de sentimentos estou cultivando?

E se em vez de culparmos a doença, assumíssemos a responsabilidade de aproveitar cada segundo que nos resta?  E aproveitar significa viver no hoje!  E para isso é preciso concentração, vontade, energia e treino.

E se em vez de chorarmos de medo da morte, sorríssemos pela alegria da vida?  Pequena, curta, sofrida, turbulenta, serena, profícua, intensa, descontrolada … mas a vida que pode ser vivida?

Me parece então que o problema não é a morte.  Me parece que ao colocar a possibilidade do desaparecimento, é o momento em que as coisas mais importantes da vida se tornam visíveis – porque no dia a dia elas existem, mas são como fumaça, intangíveis, voláteis, quase inacessíveis.  Elas podem estar aí por mais um instante.  Mas se você não olhar, não poderá alcançar.

Da morte não sabemos nada – sonhamos e imaginamos tudo.  Do céu ao inferno, do paraíso ao nada, do renascer ao extinguir.  E por isso não há nada que possamos fazer.

Mas da vida, sabemos o que está ocorrendo agora.

Pode não ser o que exatamente desejamos.  Pode ser inclusive muito longe do que sonhamos.  Pode ser algo que nos incomoda e nos faz sofrer.  Mas é isso o que temos e o que sabemos.  São essas experiencias, lutas, aprendizados que temos para viver.

As vezes já estamos mortos e nem sabemos…

JANEIRO BRANCO – você tem saúde emocional?

Podemos aplicar ao conceito de saúde emocional, o mesmo conceito médico:  dizemos que estamos saudáveis fisicamente quando nosso corpo não apresenta nenhum tipo de doença.  Saúde emocional também pode ser considerada como a ausência de uma doença mental como depressão, ansiedade, pânico, etc.

Mas não é só isso!  Saúde emocional também se refere à um estado de satisfação com sua vida, um equilíbrio conquistado por meio do controle de suas emoções.

Você controla suas emoções?

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Controle emocional – janeiro brancoComo pode saber isso?

Falamos em controle emocional quando a pessoa não apresenta sofrimento demasiado frente às questões cotidianas.

Nada na vida é fácil e nem conquistado sem esforços.  Alguns precisam se esforçar mais que outros, é verdade, mas cada pessoa tem as consequências dos comportamentos que apresenta, ou quase sempre é assim.  E isso significa exatamente que mesmo se nos esforçarmos muito, as vezes não teremos controle de tudo o que acontecerá em nossas vidas.

Controle emocional significa dizer que mesmo frente as dificuldades, ao sofrimentos, as dificuldades, ainda assim a pessoa não se paralisa, nem foge dos problemas deixando de aprender com eles.

Na vida o sofrimento é inevitável, então como saber quanto de sofrimento é o normal?

Caso você perceba que está deixando de fazer coisas que são importantes para você porque há dificuldades que você não tem conseguido enfrentar, isso é um sinal de que você não esta conseguindo atingir o equilíbrio emocional e que provavelmente precisa de ajuda da terapia para enfrentar com mais objetividade e assertividade seus problemas.

Aproveite o inicio do ano para pensar no que te incomoda, quais sentimentos você gostaria de deixar em 2016 e que outras sensações você quer experimentar em 2017?

A hora de mudança é agora!

Gostou da ideia? Então é só agendar sua primeira sessão para pensarmos juntos em quais metas você poderá conquistar nesse novo ano.

 

 

 

 

O que fazer para manter seu emocional controlado?

Antes de responder à questão gostaria de dar uma explicação: muitas vezes me perguntam se um sintoma físico pode ser psicológico… e ai eu sempre respondo com outra pergunta: Há algo em você que possamos dividir em somente psicológico e/ou físico?

Na verdade, somos uma coisa só! Isso inclui fatores psicológicos e fatores físicos e os dois se influenciam mutuamente e se complementam – significa dizer que temos questões psicológicas e físicas ao mesmo tempo  e em tudo o que fazemos.

Quando nos sentimos fisicamente dispostos, com energia, sem dores, sem incômodos físicos, a probabilidade de estarmos num estado que chamamos de bom humor é altíssima.  Agora, se temos diversos incômodos físicos, dores, fadiga, problemas de digestão, tonturas, etc etc etc, a probabilidade de estarmos de bom humor fica bem pequena.

O contrário também é verdadeiro: se nos sentimos felizes, realizados, completos, seguros, a probabilidade de sentirmos mal-estar no organismo é pequena.  Já se nos sentimos deprimidos, sem vontade de fazer nada, com medo, a probabilidade de termos sintomas físicos é muito alta.

Tudo isso nos dá então uma grande dica:  quer se manter emocionalmente controlado?

Então é preciso se manter fisicamente sadio.  Isso inclui uma boa alimentação, quantidade de horas de sono adequadas e também relaxamento físico.

Até aqui você pode me dizer:  claro que numa situação normal e de escolha eu posso optar por me manter equilibrado.  Porém e se estou doente, algo que não desejei, o que posso fazer?

Nada é simples, mas tudo é possível.

Se seu organismo está “sofrendo”, será necessário utilizarmos compensações psicológicas, ou seja, compensar o mal-estar físico por coisas que te tragam prazer.  Prazer que, de preferência, te faça esquecer, mesmo que por um instante o mal-estar físico sentido.

Vamos ao relato de J.:

Estou num tratamento para câncer no intestino e a quimio me traz muitos efeitos colaterais: dores, enjoos, cansaço, e além disso eu não tenho vontade de ver ninguém, não quero falar, fico irritada, depressiva, sinto raiva de tudo, fico descontrolada.

Infelizmente J. não podemos aliviar seus sintomas físicos (considerando que o médico já foi consultado e já prescreveu o que era possível).  Temos uma opção:  compreender que nossos sentimentos/pensamentos estão sob nosso controle e que podemos proporcionar condições para que eles sejam melhores.

Explicando melhor:

As vezes não temos nenhum controle sobre nossa condição física, mas sempre podemos controlar nossa reação a sentimentos e pensamentos.

Como?

Nos colocando em situações em que nossos comportamentos/sentimentos/pensamentos possam nos trazer consequências mais positivas.

Se você está perto de quem você ama, é mais provável que você se sinta feliz!  Então deve estar mais vezes na presença dessas pessoas.  Você terá que se descobrir, pois pela correria do dia a dia nem sabemos o que nos faz felizes.

O que faz você se sentir feliz?

O importante é buscar o que te deixem bem, para você se sentir mais confortável frente ao mal-estar físico.  Ah, claro que também vale lembrar que evitar situações que te estressam também é muito produtivo!

É nossa escolha compreender que o tratamento é doloroso, invasivo, mas é o caminho para melhorar nosso quadro clínico atual.  Revoltar-se, questionar, negar, não aderir ao tratamento não fará com que a doença melhore, ao contrário, pode fazer piorar.

Então o grande segredo para se manter equilibrado emocionalmente é saber que VOCÊ ESTÁ NO CONTROLE.

Ninguém disse que é fácil!  Muitas vezes é necessário procurar um profissional da psicologia para ajudar a encontrar o caminho mais curto e menos sofrido.

Mas é possível!  Basta olhar para os lados e perceber que há pessoas com dor, mas ainda assim sorrindo.  E que há pessoas que mesmo deprimidas, se esforçam para ir à academia e fazer meia hora de exercício físico.  Porque não podemos esquecer da lei da compensação: físico e emocional devem estar bem, pois um influencia o outro.

Qual será sua opção para 2017, que só está começando?

Será que tenho câncer de próstata?

O câncer de próstata é um tipo de câncer que atinge uma glândula (próstata) do tamanho de uma noz na região abaixo da bexiga e que só os homens têm.  É um dos tipos de câncer mais comuns em homens e ainda causa muitas mortes principalmente pelo diagnostico tardio, e sabe por que?  Porque os homens não fazem exames de rotina por puro preconceito!

As mulheres já estão habituadas a suas consultas anuais no ginecologista e esse muitas vezes é o primeiro a diagnosticar patologias e encaminhar a paciente para os médicos especialistas.  Porém o homem só vai ao médico quando está muito doente, ou então quando sofre pressão da esposa e filhos, ou por alguma norma da empresa que o obrigue a fazer exames regulares.  Com este comportamento, os homens não descobrem suas doenças e acabam morrendo vítimas patologias que, se descobertas no início, teriam grande chance de cura, como é o caso do câncer de próstata.

Por qual motivo os homens não vão ao médico?

A primeira resposta é muito simples:  porque eles não estão sentindo nada!  Entretanto o câncer de próstata muitas vezes não apresenta sintomas.

Outra explicação é cultural, ou seja, os conhecimentos passados por gerações que colocam o homem como um “super homem”.

Isso significa que para a grande maioria dos homens – e mulheres – homem chorar, demonstra fragilidade e sua masculinidade é questionada.  E ter a masculinidade questionada para o homem é um ponto extremamente angustiante.

A cultura também induz o sentimento de que o homem é o responsável pela manutenção e sustento de sua família.  Esse conceito gera uma condição de ansiedade e medo de deixar seus amados desamparados.

Quando falamos em doença fica muito claro para os homens que, em sendo diagnosticado, estarão mostrando suas fraquezas, principalmente nos casos em que a doença pode debilitá-lo e fazê-lo dependente das pessoas.  E pior, pois o câncer de próstata está relacionado diretamente aos seus temores sobre a impotência – a maior prova do quanto “machão” ele é.

E todo esse temor não é característica de apenas um ou dois homens, mas da grande maioria porque simplesmente aprendemos isso ao longo dos anos.

Com a revolução das informações e possibilidade das discussões de ideias no mundo globalizado, há muitas mudanças em relação ao preconceito, mas de forma geral, nossa sociedade ainda está preza à necessidade de categorizar as pessoas, entre homens machos e homens afeminados por exemplo.  Em função ainda de muito preconceito há discriminações em relação a opção política e religiosa, o que diremos então sobre os preconceitos em relação a orientação sexual!?

Nosso alerta maior é para você que, quando questionado sobre preconceito responde:  não, eu não tenho preconceito, eu respeito e até tenho um casal de amigos gay!  Porém o problema são aqueles pensamentos e conceitos arraigados, que estão guardados lá no fundo da cachola e que você não revela à ninguém:  “imagina… eu ficar de quatro para fazer um exame… nunca!  Isso não é coisa pra macho!”

O preconceito e suas consequências

Aí vem outro problema:  somos preconceituosos e não assumimos!  E nesse caso, o homem passa a correr o risco de ter uma doença qualquer e descobrir tarde demais para um tratamento.

Muitas vezes por desconhecimento de que há exames de sangue (PSA) que podem preceder o tão temido exame de toque, o homem foge temeroso do urologista.  E que o exame de toque não dura mais do que segundos, mas que talvez 30 segundos de desconforto sejam mais toleráveis do que tratamentos invasivos e sofrimento no futuro.

Portanto fica nosso alerta: prevenir é sempre o melhor remédio.

E sobre os medos de descobrir que pode estar doente?  De pensar que é o responsável pelo sustento da família e que não pode fraquejar?  Mais uma vez a regra se faz presente: o quanto antes descobrir, mais chance de cura existe.

Mas caso você já tenha recebido o diagnóstico positivo para o câncer de próstata, vale a pena repensar também sobre seu preconceito em relação à masculinidade e o quanto isso influenciará sua decisão quanto aos melhores tratamentos.

Busque informações com seu médico e equipe de cuidados, avalie as possibilidades e saiba que sexo é sim importante, mas que existem outras maneiras de torná-lo viável por meio de próteses por exemplo, se o seu medo for a perda da capacidade de ereção.

Só fica um lembrete:  para nós mulheres, mais importante que sua capacidade de ereção, é sua habilidade de nos amar, nos dar suporte emocional, nos ajudar a educar nossos filhos, e nos fazer feliz!  Com ou sem prótese, antes do sexo a mulher precisa de carinho, e essa habilidade, doença nenhuma consegue tirar de você.

Então, cuide-se!  Para estar presente por muitos momentos em nossas vidas!

A autoestima na mulher com câncer de mama.

Um dos maiores temores das mulheres que descobrem um Câncer de Mama, além do medo da morte, é a grande influência que esse diagnóstico tem em sua autoestima.  O medo de perder a mama e a queda dos cabelos são itens muito abordados por essas pacientes.  E você sabe por que?

Porque tudo o que aprendemos sobre nós mesmos está relacionado a nossa imagem, e qualquer possibilidade de ameaça ao que conhecemos sobre nós, nos deixa muito ansiosos.  Isso ocorre tanto para o homem quanto para a mulher, mas a cultura de cabelos longos, corpo esguio, seios protuberantes, pernas longas, corpo magro, etc etc torna a vida das mulheres uma grande batalha.  E imagina o que causa na cabeça de uma mulher quando se diz que uma doença pode causar prejuízos a essa imagem???

Agora, independente do diagnóstico, mulheres de todos os tipos, classes sociais, tipos de pele ou cabelo, copos, em sua grande maioria, tentam se encaixar nos padrões de beleza determinados pela sociedade.  Porque o que é dito pelo social é que somente a mulher que pertencer àqueles padrões da moda será uma pessoa bem-sucedida, admirada pela sociedade, e por consequência uma mulher feliz.

A autoestima como padrão imposto pela sociedade.

E você, já parou para pensar em como tem tentado se enquadrar nessas categorias?  Inclusive muito antes do diagnóstico de câncer de mama?  Pois são esses esforços que vão ditar como está sua autoestima.

Porque autoestima significa amor próprio, estimar a si mesma, e a depender de quando você deixa seu amor próprio ser ditado por essas regras sociais, é que você se sentira mais ou menos impactada pelos efeitos da queda de cabelos, ou de uma mudança no seu corpo advindas do tratamento para o câncer.

Mas aí você pode me questionar:  então o que faço?  Simplesmente esqueço o que as pessoas dizem e me visto como quero, deixo meu cabelo sem arrumar, não me importo com meu peso?

Calma!  Em primeiro lugar precisamos diferenciar duas coisas: uma coisa é fazer algo para se sentir bem com você; e outra coisa é ter que fazer algo para agradar “a sociedade”.  Eu te responderia: faça o que te faz feliz!  Mude o quanto quiser até se sentir bem com você mesma, mas não caia na cilada de se preocupar com o que os outros vão pensar se você preferir cortar o cabelo quando eles começarem a cair… ou se você optar por usar lenços em vez de perucas.

Tudo o que você fizer deve estar relacionado a se sentir feliz com você mesma.  É obvio que se você gosta muito do seu cabelo comprido, ficará triste em ter que cortá-lo, mas é preciso lembrar que é uma fase, e que seu cabelo crescerá.  E então enfrentar essa fase com otimismo e se utilizar de alternativas para se sentir bem e bonita.

Para isso a indústria de cosméticos, moda e acessórios tem nos ajudado muito!  Batons, cílios postiços, lenços, perucas, maquiagem, chapéus, sutiãs com preenchimento ou espaço para alocação de próteses… use tudo o que for possível, lembrando sempre de que sempre é bom consultar seu médico sobre as necessidades específicas de seu caso, verificar o tipo de produto adequado a sua pele, usar sempre protetor solar, e higienizar tudo para evitar contaminações.

O que realmente faz diferença.

Mas acima de tudo é importante entender que o que vale mesmo é como você se sente em relação a você mesma.  O quanto de diferença você sabe que faz na vida das pessoas – a estética é apenas um acessório do que você traz dentro de si, do seu amor próprio.

Não é raro pacientes descobrirem que podem se amar mais, podem se cuidar mais, seja no aspecto de estética, seja nos cuidados com alimentação, exercícios físicos, escolha de roupas e cores mais adequadas para seu corpo.  E só descobrem isso depois do diagnóstico.  É controverso, mas é tão bom pensar que há muito o que fazer para se sentir bem.

Pode ser uma oportunidade de grandes descobertas: e a principal é que você é muito mais do que uma classificação.  Ter ou não ter cabelo, com prótese mamária, cílios postiços, ou simplesmente não usar esses acessórios e mesmo assim se sentir bem.  Você é uma pessoa que está lutando pela vida, mas não queremos que seja só para sobreviver ao câncer, mas sim para SER FELIZ apesar do câncer.

E isso é possível… olhe para os lados, veja como tantas mulheres conseguiram superar essas mesmas dificuldades.  Você também consegue.  Se estiver difícil, busque auxílio de um psicólogo, um grupo de apoio, e tudo se tornará mais fácil – você não precisa trilhar esse caminho sozinha.  Mas é inevitável que você o trilhe!

E você pode escolher – prefere mais pedras ou mais flores?  Então é só lembrar o que precisa plantar.

Tenho Mieloma Multiplo… posso ter uma vida normal? Como, se vivo com dores, cansaço e indisposição?

Como aproveitar a vida mesmo tendo Mieloma Multiplo

De forma prática: você pode fazer tudo o que QUISER fazer.  Mas vamos discutir isso melhor… porque não é assim tão obvio, não é mesmo?

Assim como qualquer doença, o mieloma múltiplo age de forma diferente para cada pessoa, pois cada organismo é único e reage diferente às enfermidades e aos tratamentos propostos.

A diferença está na genética, na história clínica do paciente, nas comorbidades, condições ambientais… enfim, são muitos fatores que influenciarão desde o surgimento da doença, sua evolução, a recidiva ou remissão.

Cada paciente deve observar seus sintomas e respeitar seus limites, dentro das orientações médicas.   Muitos não sentem dores e levam uma vida normal, mesmo com múltiplas fraturas – há relatos de pacientes que fazem academia mesmo após fraturas… Há outros entretanto que sentem dores incapacitantes, mesmo sem fraturas por exemplo.

E a sensibilidade a dor também é algo muito particular de cada organismo.  Entretanto há um aspecto da DOR que pode ser afetado diretamente por nossa condição psicológica – vamos falar sobre isso.

Fundamental é compreender o motivo pelo qual estamos ou não nos comportando.

Muitas vezes usamos um mal estar como uma “desculpa” por na verdade não querermos ver ninguém, não querermos responder a questões sobre a doença, não nos sentirmos bem para enfrentar o mundo lá fora, ou mesmo porque estamos sem esperança por tudo o que ocorre, e não vemos muito sentido em prosseguir.  E aqui temos um belo exemplo de como nosso estado psicológico pode fazer com que nossa dor seja potencializada.

E você, como está agindo em relação a seus sintomas?

Alguns pacientes conseguem driblar suas dores e mantem um organismo saudável – por meio da alimentação adequada e exercícios físicos autorizados por seus médicos.  Outros sentem dores incapacitantes, mas em momentos em que se sentem melhor, não se deixam abater e buscar uma vida o mais próximo do que tinham antes do diagnóstico.  Há ainda os casos em que o próprio tratamento implica num afastamento social, mas com criatividade e as redes sociais disponíveis, pacientes se mantém ativos socialmente a até mesmo trabalhando…

Mas por que essa atitude positiva pode fazer diferença?  Se você está sentindo dores, com indisposição, cansaço, humor alterado, sem expectativas, com raiva, com medo e todos os outros sentimentos difíceis que acompanham a vida de quem tem Mieloma Múltiplo e enfrenta os longos tratamentos… por qual motivo deve se importar em querer fazer coisas?

Pelo simples motivo de que, quanto menos seu organismo se movimenta, mais atrofiados ficarão seus músculos, correto?  O mesmo princípio se aplica à nossa VONTADE de fazer coisas: quanto menos vontade de fazer coisas você tem, menos coisas você faz, e a vontade fica menor… isso vira um ciclo vicioso.

Como pará-lo?

Encontrar coisas que você goste de fazer e retomar sua vida aos poucos.  Não pode mais disputar uma maratona?  Ainda pode caminhar?  Então aproveite para curtir a mesma estrada… Esse é só um exemplo de que nem tudo que fazíamos antes de uma doença, talvez seja possível fazer exatamente do mesmo jeito.  Mas sempre é possível resgatar a mesma EMOÇÃO que tínhamos quando realizávamos as atividades preferidas.

E podemos resgatar a emoção por meio de atividades que realizamos – vamos lá… com criatividade conseguimos adaptar muitas coisas, descobrir novos caminhos e formas de realizar o que desejamos.  Podemos assistir a filmes, ler livros, conversar e compartilhar com as pessoas que amamos…

Fundamental é sabermos que se não agirmos, fatalmente seremos invadidos por aqueles sentimentos pessimistas descritos anteriormente.

Faça um novo ciclo, resgate emoções positivas!

Se precisar de auxilio, busque ajuda de um profissional da psicologia, mas não deixe de tentar ver a vida com outros olhos, pois ela está aí, todinha para ser vivida.  E quem decide sobre isso é somente VOCÊ!

É possível voltar de onde você parou, antes de descobrir o câncer?

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A vida seguia normalmente –  do trabalho para casa, de casa para o trabalho, família, amigos, pouco tempo para curtir os prazeres, muito stress, cansaço, algumas dores… até que chegou o diagnóstico do câncer e parece que tudo na vida parou.   Foi um choque!  O filme da vida passando em segundos na cabeça, os medos, a tristeza de não poder mais curtir com a família os sábados de sol, a vazio de pensar que não poderia mais acompanhar os filhos com a lição de casa, o sofrimento em pensar que não estaria mais ao lado da pessoa amada e… vamos parar um pouquinho esse filme para uma pergunta:

VOCÊ REALMENTE APROVEITAVA SUA VIDA ANTES DE TER O DIAGNÓSTICO DO CÂNCER?

Realmente curtia os sábados de sol, ligava para os pais ou parentes para visita-los, entrava nas brincadeiras e fantasias dos filhos ou até mesmo das crianças do bairro, almoçava saboreando deliciosamente cada ingrediente do prato, acordava pela manhã e olhava para o céu azul – ou cinza – e sempre pensava em como poderia aproveitar o dia; viajava, descansava, curtia? Ou não tinha tempo para isso?

Infelizmente pesquisas comprovam que apenas uma grande minoria das pessoas sabe aproveitar a vida.  A maioria sempre está correndo atrás de algo que precisa conquistar, que precisa fazer, que precisa ver… E a probabilidade de você ter se colocado no grupo dos estressados é bem grande.  E olha que estamos falando disso tudo antes do diagnóstico.

Após meu convívio com os pacientes e também no contato com seus familiares, gostaria de plantar uma sementinha de um novo pensamento com esse texto de hoje: é bem contraditório o que vou colocar, mas não podemos deixar de dizer que muitas pessoas após passarem por uma experiência muito difícil como o Câncer, relatam e são avaliadas como muito melhores!

Sabe por que?

Simplesmente porque a doença faz com que a pessoa entre em contato com questões fundamentais para sua vida, mas que são deixadas de lado em função da correria cotidiana do trabalho, etc.

Quando adoecemos enfrentamos nossos maiores medos: a solidão, a proximidade da morte, a dependência do outro, a falta de controle, medo de sofrer e muitos outros.  E ao longo de todo o processo de tratamento nos deparamos com esses e outros inúmeros medos, e não há opção ou escolha, pois, para seguir em frente é necessário enfrenta-los.  E mais do que enfrenta-los, vamos superando a cada um, pouco a pouco.

Normalmente os pacientes passam a dar mais valor para as pequenas coisas, pois efetivamente são elas que fazem a diferença em nossas vidas.  Um abraço, alguém para lhe fazer companhia, segurar sua mão numa hora difícil, lhe preparar uma comida quentinha, dar uma carona, uma ligação num dia de desanimo, colocar sua música preferida para te relaxar… esses são realmente os verdadeiros prazeres que temos na vida.

E com a doença acabamos sendo obrigados a conviver mais com as pessoas que nos cercam; a depender delas e com isso nos tornamos mais tolerantes – claro que no início é um desespero, mas se melhorarmos de 2 para 4 numa escala de tolerância, já é um grande ganho.

Claro que é possível e necessário retomar as atividades, o trabalho, a convivência, os hobbies quando o paciente se sente melhor.  Mas uma coisa que não será a mesma é seu interior.

Certamente a pessoa se tornará muito diferente em relação a seus sentimentos, no relacionamento com os outros, e no respeito com sua própria vida!

E sinceramente, você gostaria de ser o mesmo de antes da doença?

Muitas pessoas agradecem pela oportunidade de ter vivido uma doença e assim terem aprendido a dar valor para algumas outras coisas que não viam, mas que estava ali em seu dia a dia.

Claro que não precisamos estar doentes para aproveitar a vida, então lhe convido a pensar:

Com ou sem diagnóstico.  Recentemente diagnosticado ou vivendo com sua doença há anos: VOCÊ TEM APROVEITADO A SUA VIDA?

Como superar a perda de um ente querido.

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Falar sobre perda é sempre muito difícil, pois a dor da perda é sempre imensa, e só pode ser mensurada por quem a está sentindo.  Mesmo que a gente saiba que todos estão ali ao lado para nos ajudar, perder alguém importante em nossas vidas é muito doloroso e por vezes insuportável… é como se estivéssemos tendo um pedaço arrancado, perdêssemos uma parte de nós mesmos.

Por que será que é tão difícil enfrentar dor da perda?

E na verdade, estamos falando em perder exatamente o que?

Vamos refletir:

Quando convivemos com alguém, o que nós obtemos de gratificante sobre o relacionamento é a companhia da pessoa.  Ou seja, fazíamos coisas legais juntos, eu podia me abrir, confiar, me dava afeto, me fazia bem, etc.  Quando eu perco essa pessoa, não perco somente a figura amada, perco também estes outros prazeres.  Sinto que estou perdido por não saber em quem posso confiar.  Não consigo me abrir com outras pessoas.  Não me sinto tão confortável como com a pessoa que se foi.  São essas coisas que vão nos atrapalhar para lidar com a ausência de quem se foi.  Simplesmente porque no primeiro momento só conseguimos verificar que a pessoa se foi e com ela foi toda essa possibilidade de ser feliz.

Além desse sentimento de desamparo, ainda há a dúvida é: o que devo fazer agora, por onde começar?  Há uma burocracia a ser enfrentada; há os pertences da pessoa que faleceu – a casa, as roupas, os móveis…

O que fazer com tudo isso?

Em primeiro lugar é preciso que você se respeite.  Respeite o seu momento de dizer adeus.   Despeça-se de tudo o que desejar.  Se quiser, fique com uma lembrança, um objeto… e aos poucos, de acordo com o seu tempo, vá pensando em destinos para tudo isso.  Peça auxilio para amigos e parentes no ato de mexer nas coisas da pessoa falecida – esse momento é sempre difícil, pois você olhará para uma roupa e se lembrará do passeio que fizeram, do que viveram juntos quando a pessoa vestia aquela peça, e tudo isso faz parte do que chamamos de luto.  E o luto nada mais é do que a conscientização de que a pessoa realmente se foi.  E de que você permanece e, portanto, precisa dar seguimento para sua vida.

Permita-se ficar triste, chorar, relembrar, sofrer… esse é o momento da despedida e precisamos vive-lo.  Ninguém poderá vive-lo por nós, cada um terá o seu luto, cada um sentirá de seu jeito a dor da perda.

É muito comum pensamentos recorrentes de culpa, de arrependimento, de sofrimento por não ter dito algo que gostaria.  Para isso será importante compreender que nós todos fazemos aquilo que conseguimos em cada momento.  E no momento seguinte conseguimos olhar para trás e pensar: puxa vida, deveria ter feito X coisa.  Mas reparou que só conseguimos ver isso depois que passa?  É porque não estávamos prontos, maduros emocionalmente para ver a situação antes… então não alimente esses pensamentos.  Eles podem vir, mas se não forem alimentados, se você se propuser a buscar auxílio, a fazer coisas novas em vez de ficar sentado pensando nas mesmas coisas, certamente eles passarão.

E uma última situação é que, após começar a se sentir melhor, você precisa lembrar que sua vida continua.  Você tem outras pessoas que te amam, e que você ama também.   Você tem trabalho a fazer, tem sua vida para viver.

Vamos recordar o primeiro parágrafo da reflexão: 

Perdemos o sentido de fazer algumas coisas porque a pessoa que nos acompanhava não está mais aqui conosco.  Aqui são dois pontos fundamentais, que não podemos esquecer por nenhum segundo:

  1. A pessoa física se foi, mas ela só morrerá quando você a esquecer. Manter memorias, lembranças, fotos, recordações da pessoa amada é muito saudável pois ela fez parte de sua vida e você não deve apagar essa página.
  2. Para superar essa dor da perda será necessário construir novas relações com outras pessoas. Certamente haverá outras pessoas em quem você possa confiar, com quem você se sinta bem, que também te fazem feliz.

Mas espere!

Falamos em superar a dor da perda, em doar as coisas, em buscar novas pessoas e construir com elas relações harmoniosas e felizes de amizade, de afeto.

Mas não estamos falando para SUBSTITUIR a pessoa que se foi – ela é insubstituível.  Todos nós somos insubstituíveis.

Falamos sim em seguir em frente, em pensar que sua vida está aí para ser vivida, e certamente, aquela pessoa que o ama e que se foi, não gostaria de te ver entregando os pontos.  Afinal, quando amamos, sempre queremos ver a pessoa feliz!

Então, é hora de pensar em como você está enfrentando esse momento:

  1. Sente-se triste, mas já voltou ao trabalho.  As vezes se pega pensando e até chorando.  Mas na maioria do tempo consegue desempenhar suas atividades – é um bom indício… você está triste pela perda, mas está reagindo muito bem a ela.
  2. Você ainda não conseguiu voltar ao trabalho, não consegue se concentrar, não tem vontade de comer, não está dormindo bem mesmo após uma semana do falecimento; é importante consultar um psicólogo para que possam avaliar o que está acontecendo com você. Uma avaliação profissional irá lhe auxiliar a compreender os motivos pelos quais está tão difícil vivenciar esse momento que é intenso, mas que também deve ser passageiro.

Ter alguém para conversar sobre seus sentimentos, que possa lhe acolher, sem julgar, e também lhe ajudar a fazer análises sobre sua forma de lidar com sua perda é muito importante.

Cabe aqui ainda ressaltar que as crianças também vivenciam o luto – algumas enfrentam de forma mais adequada e outras não.  É mais difícil que as crianças consigam se expressar.  Portanto, precisamos ficar atentos aos sinais que normalmente se refletem na escola, seja em relação a desempenho, seja nos contatos sociais.  Uma conversa com os professores sempre é útil para avaliar se está tudo correndo bem.

Enfim, o ser humano tem grandes dificuldades em lidar com a dor da perda.  Cada vez em que perdemos uma pessoa, a nossa finitude fica muito evidente.  E pensar que não poderemos mais viver com nossos filhos, trabalhar no que gostamos, comer aquela comidinha preferida, estar perto de quem amamos… o sentimento de que isso pode acabar nos traz grande angústia…

Tenho então uma última questão:  você realmente está aproveitando TODOS os momentos da sua vida AGORA?

NÃO?!

Então está na hora de rever e de mudar tudo isso – só depende de você!

E se precisar de ajuda, a terapia pode ser uma boa alternativa.

Como enfrentar a demora dos exames e do início do tratamento para o câncer?

Como enfrentar a demora dos exames e do início do tratamento para o câncer?

Um dos primeiros problemas enfrentados pelo paciente e também por sua família logo após o diagnóstico da doença é a dificuldade em acessar os tratamentos disponíveis.

E se o paciente já conseguiu ser diagnosticado é uma grande vantagem, pois o processo diagnóstico eu diria que é tão exaustivo quanto aguardar para ter acesso aos tratamentos.

Infelizmente nós temos uma grande dificuldade para o atendimento no sistema público de saúde em nosso país, e tampouco o sistema particular nos traz segurança e tranquilidade – embora seus valores muitas vezes sejam abusivos.

Então, além de sofrer em relação aos sintomas da doença, às dificuldades financeiras advindas dos medicamentos necessários, do afastamento do trabalho, da perícia que demora, das dificuldades para que os cuidadores possam se organizar e auxiliar o paciente, ainda é necessário que todos tenham energias e forças para obter informações, enfrentar burocracias, conseguir documentações, vagas, etc.

Mas qual será a forma de enfrentar todas essas dificuldades?

Talvez o mais difícil, mas sem dúvidas o mais importante: SIGA SEMPRE EM FRENTE!

Claro que frente às dificuldades (não estamos falando em pequenas dificuldades, mas em grandes problemas de saúde e até financeiros) temos dificuldades em ter pensamentos positivos, esperança e acreditar.  Mas é exatamente neste momento que devemos “provar” do que somos feitos.

Lembra-se da história dos três porquinhos?  As casas de palha, de madeira e de tijolos?

Então, do que VOCÊ construiu sua “casa”?

É preciso que, mesmo que nossa casa se abale as vezes, tenhamos sempre a iniciativa de substituir uma palha ou uma ripa de madeira por um tijolo.  E a cada dificuldade, a cada desafio da vida, uma ação de positividade trará muito mais resultados do que uma ação de inércia ou de negativismo.

NÃO É FÁCIL, MAS É POSSÍVEL!

Estive no congresso da IMF realizado no mês de julho e conheci inúmeros pacientes que tiveram essas ações.  Pessoas que decidiram que apesar da doença, iriam viver cada dia como se fosse único, e não desistiram jamais de lutar.

Não estou falando de coisas grandiosas, mas de ações pequenas como se manter ativo o máximo que puder, manter uma alimentação balanceada, dormir o tempo adequado e respeitar as orientações médicas sobre esforços físicos, e se possível, manter o corpo sempre ativo.

E uma das ações mais positivas, é se manter ativo socialmente.

Isso significa dizer que você precisa estar próximo a seus familiares e amigos, deve ajudar sempre no que for possível e manter sua independência pelo máximo que conseguir – mas se isso for lhe custar algum risco, aprender a pedir ajuda.

Nós somos exatamente aquilo que fazemos num determinado momento.  Você pode sim estar doente, mas está aqui, e deve aproveitar ao máximo todas as oportunidades para ser feliz!

E talvez a felicidade não seja exatamente do jeito que você esperava, mas é necessário que você busque novas formas de estar feliz e continuar em frente, continuar com os pequenos prazeres da vida, na companhia de quem te ama, e fazendo coisas que você gosta.

Não pode mais praticar exercícios físicos, assista seu esporte predileto na TV; se sente triste porque seus cabelos caíram, adote um item charmoso como os lenços ou chapéu e não deixe que isso te impeça de realizar suas atividades; tem dores e não se sente tão disposto, aproveite os momentos em que tiver disposição para fazer algo que lhe traga prazer, e descanse quando for necessário.

E desta maneira, com pequenas ações, será possível enfrentar cada dificuldade que aparecer.

A espera é dolorosa, irritante, desmotivadora, decepcionante, mas é preciso ACREDITAR! Porque sempre há uma alternativa.

E para entender sobre as alterativas, busque informações – não desanime com o primeiro não, nem na 13ª dificuldade.  Busque com médicos, enfermeiros, e todos os outros profissionais da saúde que você tenha contato; utilize as redes sociais, compartilhe dúvidas, faça perguntas para quem já enfrentou os mesmos problemas; busque instituições como a IMF que podem lhe auxiliar com dados confiáveis.

E se necessário for, busque seus direitos na justiça, mas não deixe que digam que você não pode.

Lembre-se que saúde é um direito seu, e que você deve fazer sua “casa” a cada dia, trocando os materiais e tentando adequá-los às situações que você vivencia.

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