Suicídio na adolescência

Suicídio na adolescência
  1. O que leva um adolescente a cometer suicídio ou pensar nessa possibilidade?

A adolescência é uma fase marcada por grandes descobertas (afetivas, sexuais, profissionais);  O papel dos grupos sociais, as opiniões, vivências, valores, influenciam significativamente a vida dos adolescentes.  A necessidade de se adaptar, o julgamento social intenso, a falta de experiências para enfrentar essas situações gera grande ansiedade.  A falta de habilidade para resolver conflitos, não se sentir apoiado pela família, e uma necessidade imediata de se desvencilhar dos sentimentos negativos pode gerar no adolescente a ideia de acabar com tudo – e um dos pensamentos imediatistas é o suicídio.  Vale ressaltar que muitas vezes a ideia não é morrer, mas se livrar da situação que lhe parece insustentável.

  1. Quais são as doenças psicológicas mais ligadas a esta situação?

Depressão, transtorno bipolar, transtornos de personalidade, além de abuso de substâncias químicas.

  1. Uma adolescente que cogita a possibilidade de cometer suicídio geralmente já possui alguma doença psicológica?

Não necessariamente.  Todos nós já pensamos alguma vez em sumir do mapa, desaparecer, acabar com o sofrimento vivenciado no momento.  O agravante é a sociedade que valoriza o imediatismo, o clicar de um botão para mudar a sua vida.   Mas a realidade não é desta maneira.  É preciso ter tolerância para os relacionamentos familiares e afetivos, ter persistência para superar as dificuldades na escola.  Muitas vezes essa impulsividade é que leva o adolescente a pensar no suicídio.  Sem dúvidas que a depressão é uma das principais precursoras de ideias suicidas.  Mas é importante entendermos que a depressão também é decorrente da falta de habilidades do indivíduo se adaptar ao mundo.  Como ele tem dificuldades, em vez de enfrentar os conflitos ele se afasta e se isola, o que gera mais sentimentos de incompetência para superar os desafios.

  1. Os adolescentes são considerados mais vulneráveis nessa ocasião? Para eles é mais difícil lidar com sentimentos e entender que o suicídio não é uma solução para os problemas?

Não diria que os mais vulneráveis.  Em qualquer idade é possível se sentir incapaz de lidar com as situações difíceis na vida.  Mas certamente a adolescência é um período que exige grande adaptação em vários aspectos, e tudo ao mesmo tempo.  Sem dúvidas esse contexto implica num momento de mais ansiedade.  Se o adolescente não consegue desenvolver habilidades adequadas para resolução de problemas, convívio social, tomada de decisão, contatos afetivos, poderá ter maior tendência a desenvolver transtornos de ansiedade ou depressão.  E mais uma vez o suicídio acaba sendo uma alternativa para acabar com o sofrimento.  O maior risco é que o adolescente é impulsivo, e, pode num momento de desespero, ter uma tentativa “bem-sucedida”.

  1. Um estudo publicado na revista de medicina The Lanced, constatou que o número de meninas que se automutilam chega a ser maior do que meninos, essa afirmação é consistente? E por qual razão isto ocorre?

Alguns outros estudos corroboram com esta análise – a automutilação ser mais frequente em meninas do que em meninos.  A automutilação na maioria das vezes é provocada para suplantar uma dor emocional sentida pelo indivíduo, num contexto em que ele pode controlar.  Normalmente o adolescente tem em sua história grande desamparo.  Ou seja, não consegue sentir que possa controlar ou evitar o sofrimento.  Também não se sente amparado para enfrentar suas dificuldades.  Quando desenvolve a automutilação, é como se pudesse “controlar” esse sofrimento, lhe causando uma espécie de alívio.  Uma hipótese é de que as meninas são mais autorizadas a sentir e expressar suas emoções.  Mesmo não sabendo fazer de forma adequada –  se mutilando – acabam se expressando.  Já os meninos não estão socialmente autorizados a sentir, e, portanto, acabam muitas vezes não “valorizando” seus sentimentos e calando-se.

  1. A identificação com séries, livros e histórias de terceiros que também passaram por situação parecida, serve como ajuda para que eles não se sintam sozinhos? E até que ponto essa influência pode se tornar prejudicial? (Como podemos acompanhar adolescentes que se identificaram com a história da série 13 reasons why e cometeram suicídio)

Infelizmente a divulgação de estratégias inadequadas para resolver os problemas também podem servir como incentivo.  Principalmente porque as pessoas se identificam com o sofrimento e acabam imaginando que se a automutilação trouxe alívio para o outro, também poderá trazer para elas.  Um outro perigo sobre o grande número de informações veiculada na internet é a “moda” dos comportamentos.  Como é uma fase em que os adolescentes são controlados pelo grupo.  É muito possível que se copie uma conduta para fazer parte de um determinado grupo –  querer provar algo para o grupo ou para alguém como um namorado por exemplo, querer provar seu amor, sua coragem, etc.  Neste caso o recado fica para os pais:  embora o adolescente pareça independente, é fundamental que seja acompanhado de perto, para que se possa prestar o auxílio necessário.  Mas vale ressaltar que não é porque alguém leu, ouviu ou viu alguém que se suicidou é que a pessoa irá pensar nisso.  Há um grande sofrimento antes de qualquer pensamento suicida, então devemos entender que falar sobre o assunto não é ruim, mas pode ser uma forma de esclarecer e incentivar a busca por auxílio.

  1. Como pode-se definir o suicídio?

Comportamentos cuja intenção seja de autolesão, com danos ao indivíduo, mesmo que não sejam letais.  Nem sempre a ideia central é a morte, mas a necessidade de se livrar de grande sofrimento e sentimentos de desesperança.

  1. O que geralmente passa na cabeça desses adolescentes quando pensam em cometer suicídio?

Desesperança, frustração, tristeza, falta de alternativas para lidar com seu sofrimento, solidão, desamparo, falta de apoio… todos esses sentimentos estão presentes quando uma pessoa tenta o suicídio.  A baixa tolerância para enfrentar as dificuldades ou mesmo a falta de habilidades para lidar com seus problemas somadas à impulsividade característica da adolescência formam um contexto perfeito para as tentativas de suicídio.

  1. Quais sinais os adolescentes dão em casos como esse? Como eles se expressam, geralmente, como forma de pedir ajuda?

Mudanças significativas de comportamentos como vestimenta para esconder automutilação, isolamento, calmaria repentina, alterações de humor, falar sobre suicídio/morte, planos sobre suicidar-se, começar a organizar suas coisas, doar o que gosta, deixar mensagens de despedidas, expressar desesperança, relatar pensamentos de autodestruição, relatos de que só atrapalha, de não perceber motivos para estar vivo, discurso de falta de planos para o futuro, relato de sentimentos de fracasso na vida em geral, conflitos em relação a sexualidade, jovens que passaram por grandes perdas ou apresentam grande dificuldade para lidar com as dificuldades diárias.

  1. Qual a melhor forma dos jovens ajudar amigos da mesma idade que esteja passando por isso? Ou caso ele mesmo passe por isso, como pedir ajuda?

A melhor maneira de ajuda-lo é incentivando a buscar auxilio profissional especializado para resolver os problemas de forma adequada (psicólogo, psiquiatra, médicos).  Tais profissionais poderão lhe ajudar a descobrir maneiras para enfrentar suas dificuldades, fortalecendo sua autoestima, autoconfiança, e lhe ensinando formas para enfrentar as dificuldades.  Demonstrar apoio, ouvir as dificuldades não menosprezando os problemas, além de incentivar o jovem a buscar apoio na família podem ser uteis também.

  1. A falta de estrutura familiar ou atenção por parte dos pais, influência na decisão do jovem tirar a vida?

Sem dúvidas que sim.  A família tem papel fundamental para qualquer indivíduo no que diz respeito a sua autoimagem.  Os familiares são nossos pilares para o aprendizado desde habilidades como andar até o aprender a sentir, a se relacionar, a expressar sentimentos e resolver problemas.  Quando a família não apoia o indivíduo, não o ouve, não o respeita em suas dificuldades, há um grande problema, pois, essa pessoa buscará esse apoio em outros locais, que nem sempre será a maneira mais adequada.  Uma família que consegue lidar unida com os problemas, ensina o indivíduo a ter tolerância e flexibilidade para enfrentar as dificuldades, sabendo que ele sempre terá alguém com quem poderá contar ou lhe estender a mão.  O sentimento de solidão é o mais característico do indivíduo que tenta o suicídio.

  1. São identificados grupos nas redes sociais, o qual jovens contam suas experiências, angústias.  Essa forma de socialização ajuda o jovem a superar suas tristezas?

Assim como informações podem trazer alternativas inadequadas, os grupos nas redes sociais podem trazer a esperança para aqueles que sofrem.  Relatos sobre dificuldades, tentativas de solucionar problemas podem trazer a esperança de se sentir capaz de enfrentar as dificuldades diárias.  Não se sentir o único pode ser uma perspectiva de futuro.  Os jovens hoje se relacionam muito pelas redes.  As redes atingem um número grande de adolescentes numa linguagem acessível e com conteúdo que eles possam se identificar.

  1. Qual a melhor forma de combater o suicídio?

A prevenção é a melhor alternativa.  E como prevenção entende-se que é ensinar tolerância, além de oferecer mais suporte e alternativas do que julgamento e críticas.  Compreender os motivos pelos quais a pessoa está sofrendo é um dos primeiros passos.  A depressão ou qualquer outra doença ligada ao suicídio não é meramente uma questão de chamar atenção.  Quando o adolescente dá dicas que precisa de atenção, devemos mostrar que estamos atentos.  Mostrar que ele faz diferença para a família e para o grupo ao qual pertence.  Pessoas que se sentem amadas, seguras, amparadas, importantes, sentem que são capazes de realizar e conquistar sonhos, não cometem suicídio.  Saber que a automutilação é para chamar a atenção não resolve o problema.  Precisamos entender o objetivo daquele comportamento auto lesivo, qual necessidade ele apresenta, e olhar com atenção, amor e respeito.

Entrevista concedida à Aline Castro para elaboração de seu TCC no curso de jornalismo das faculdades FIAM FAAM.

Link para o material finalizado: Sessão #Papo Sério   pagina 21.

 

 

 

 

10 passos para manter o equilíbrio físico e emocional.

10 passos para manter o equilíbrio físico e emocional.

A vida da mulher está tão corrida com o mundo moderno e suas responsabilidades com os filhos, a casa, a profissão, o casamento …  que nunca sobra um tempo para cuidar dela mesma.  Manter o equilíbrio físico e emocional vira uma tarefa impossível!

E você sabe o que isso causa em sua vida?

Ansiedade, tensão, incerteza, angústia, cobrança, culpa, medo, depressão, stress, solidão…  e quando esses sentimentos não são devidamente controlados, acabam causando no corpo doenças físicas e psicossomáticas!  E o pior que você, mesmo doente, continua se sentindo responsável pela família, trabalho, relação, casa, etc etc etc.

Confira 10 dicas especiais para se manter o equilíbrio físico e emocional.

  1. Respeite seus limites

Você é uma pessoa só, mas com muitas atribuições – a casa, os filhos, o trabalho, a relação amorosa.  E ainda você provavelmente tem um alto nível de auto exigência.  O mundo nos ensina que devemos dar conta de tudo isso, mas é humanamente impossível!  Então é preciso que você lute contra essas cobranças externas e respeite seus limites.  Deixe a louça na pia, distribua as tarefas em casa, se permita almoçar por uma hora… é preciso que você observe seu corpo e veja que ele muitas vezes te pede um descanso.  Para manter o equilíbrio físico e emocional será necessário fazer escolhas – escolha por sua saúde.

 

  1. Respeite suas vontades

Na maioria das vezes observamos mães e esposas dedicadas fazendo tudo pela família e se esquecendo delas.  É muito importante que você respeite suas vontades, seus desejos e também consiga realiza-los.  Assim como você fica feliz em fazer algo pelas pessoas, deixe que elas façam coisas por você também.  Permita-se ser cuidada, se permita querer coisas e também realizá-las.

 

  1. Organize uma agenda

Diante de tantas responsabilidades é necessário que você tenha horários para cada atividade, e que principalmente inclua nessa agenda horários para você.  Somente estabelecendo prioridades e determinando tempo é que você conseguirá dar conta de tudo o que precisa fazer.  Caso contrário acabará se sentindo sobrecarregada e frustrada por não realizar tudo o que é necessário.  Equilíbrio significa também dividir, planejar e segmentar.

 

  1. Tenha disciplina

Após estabelecida uma rotina é necessário que você cumpra à risca sua agenda.  Não faça concessões pois isso atrapalhará seu desempenho e aquele sentimento de insucesso voltará.  Siga confiante sua lista de prioridades e certamente você se sentirá muito melhor quando chegar ao fim do dia.

 

  1. Faça coisas positivas por você

Todo ser humano precisa de recompensas para se sentir feliz.  Dê de presente à você uma roupa nova, um batom, um dia de folga, um dia de passeio onde você gosta, faça sua comida predileta, tire um tempo para ler um bom livro.  É necessário que VOCÊ faça coisas que te tragam prazer, pois esse é o melhor antídoto para a depressão e a ansiedade.  Manter o equilíbrio físico e emocional inclui um olhar diferenciado para você, pois quem deve estar no foco é VOCÊ.

 

  1. Afaste-se de coisas e pessoas negativas

Assim como buscar coisas positivas, você deve se afastar do que lhe traga sentimentos negativos.  Não se obrigue a gostar de ninguém, não se sinta culpada por ter um momento de descanso, mas sobretudo não se coloque em situações que você sabe que irão te trazer coisas ruins.  As vezes se afastar de um problema por um momento é a melhor maneira de se manter em equilíbrio físico e emocional para conseguir resolve-lo posteriormente.  O estresse altera condições físicas e psicológicas nos deixando vulneráveis inclusive a doenças.

 

  1. Aprenda a controlar sua ansiedade

A ansiedade é um sentimento aprendido e, portanto, pode ser mudado.  Ansiedade está relacionada ao nosso receio de ter consequências ruins no futuro.  Aí ficamos tentando prever e controlar o que irá acontecer, para garantir que não sofreremos.  Mas infelizmente nós não conseguimos controlar o futuro.  Não conseguimos controlar o que o outro pensa ou sente.  Não conseguimos controlar muitas vezes nem nossos próprios sentimentos.  O que conseguimos controlar são nossas ações, independente do que estivermos sentindo.  Então é importante que seu foco seja no hoje – viva um dia de cada vez, pois ontem já não é possível mudar nada, e amanhã ainda nem chegou.

 

  1. Fique perto de quem te faz bem

Não deixe que a rotina do dia a dia te afaste dos amigos e dos familiares importantes para você.  São essas pessoas que vão nos resgatar quando estivermos lá no fundo do poço, quando não tivermos mais forças para suportar os problemas.  É por essas pessoas que valerá à pena continuar lutando e superando as adversidades.  Então é necessário que você tenha amigos.  Cultive o carinho e atenção deles para que possa ter com quem contar e para que também possa ajudar quando eles precisarem de você.  O ser humano não foi feito para viver sozinho, então não se isole.

 

  1. Faça exercícios físicos

O corpo é uma máquina e precisa de cuidados.  Quando deixamos uma máquina enferrujar ela começa a funcionar mal.  Por isso é necessário fazer algum tipo de exercício.  Academia, jogos, natação… qualquer coisa que te agrade.  Os exercícios físicos fazem bem para o corpo pois relaxam a musculatura que fica tensa com os problemas diários.  Também ajudam na eliminação de todas as toxinas que liberamos no corpo quando estamos estressados.  Além disso o exercício ajuda na socialização.  Quando fazemos exercícios liberamos substancias químicas que nos dão a sensação de prazer.  Para um dia cheio de problemas, é um santo remédio!  Comece com uma caminhada diária de pelo menos meia hora… você sentirá a diferença.

 

  1. Peça ajuda sempre que precisar

Por último, mas não menos importante, é preciso que você peça ajuda!  Deixe que as pessoas façam as coisas por você, deixe sua família te ajudar, desabafe sobre seus problemas, divida suas angústias e medos e peça ajuda!  Muitas vezes não conseguimos ver a solução e ela está ali, pertinho… contar com o apoio de quem nos ama é muito importante.  E se for necessário, busque ajuda de um profissional da psicologia para que a caminhada não seja tão sofrida nem tão demorada.

Dessa maneira, se você seguir diariamente essas 10 dicas, certamente você conseguirá manter o equilíbrio físico e emocional e seu organismo estará mais saudável para desfrutar de uma vida plena e feliz!

Então é Natal …

Natal é época de comemorações

é quando encontramos na agenda apertada

espacinhos para rever os amigos

e sempre prometemos que no ano seguinte nos veremos mais vezes

 

Natal é tempo de pensar em presentes

de estar presente com a família

de fazer comprinhas

de pensar em lembrancinhas

 

 

No Natal o que esperamos mesmo é se lembrados

lá no fundo esperamos receber um presente daqueles que consideramos importante em nossas vidas

esperamos um telefonema, uma mensagem no facebook, um recadinho no whatsapp

 

Mas você… tem lembrado dos amigos?

Há quanto tempo não dá sinal de vida?

 

Eu sei… envolvidos com a correria de final de ano

os dias correm , as horas voam, e quando se vê já é noite

 

Aproveite essa época propícia para retomar seus contatos

investir no que é importante para você:  família, relacionamento afetivo, filhos, amigos…

não deixe essa oportunidade passar

 

E quando estiver com os seus não economize abraços

distribua-os livre e apertadamente

 

E de repente você notará que seu Natal está completo

Você terá ali, a seu lado, o que há de mais precioso

você terá o amor!

 

É  o amor pelas pessoas, pelos nossos objetivos que nos move

Deixe que o amor te leve

e que faça desses pequenos momentos

motivos para grandes lembranças

 

FELIZ NATAL !!

 

 

FELIZ 2017!

Viver é um aprendizado
Feliz 2017 viver é um aprendizado!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Viver é um aprendizado …

é aprender que nem tudo o que desejamos ocorre como pensamos

mas nem por isso deixa de ser especial

 

é aprender que teremos muito menos do que esperamos das pessoas

simplesmente porque elas também estão preocupadas mais em receber do que oferecer

mas mesmo assim elas continuam sendo tendo um grade valor para nós

 

é aprender que tudo o que passa deixa marcas

mas compete a cada um transformar o significado das coisas

 

Que neste final de ciclo seja possível avaliar as marcas deixadas por tudo o que vivemos em 2016

Para que em 2017 seja uma grande oportunidade de construirmos nossa felicidade!!

 

 

Como superar a perda de um ente querido.

como-lidar-com-a-morte-1080x401

Falar sobre perda é sempre muito difícil, pois a dor da perda é sempre imensa, e só pode ser mensurada por quem a está sentindo.  Mesmo que a gente saiba que todos estão ali ao lado para nos ajudar, perder alguém importante em nossas vidas é muito doloroso e por vezes insuportável… é como se estivéssemos tendo um pedaço arrancado, perdêssemos uma parte de nós mesmos.

Por que será que é tão difícil enfrentar a perda?

E na verdade, estamos falando em perder exatamente o que?

Vamos refletir:

Quando convivemos com alguém, o que nós obtemos de gratificante sobre o relacionamento é a companhia da pessoa, ou seja, quando estávamos juntos fazíamos coisas legais, uma pessoa com quem eu podia me abrir, confiar, que me dava afeto, me fazia bem, etc.  Quando eu perco essa pessoa, não perco somente a figura amada, perco também estes outros prazeres.  Sinto que estou perdido por não saber em quem posso confiar, não consigo me abrir com outras pessoas, não me sinto tão confortável como com a pessoa que se foi, e são essas coisas que vão nos atrapalhar, e muito, para lidar com a ausência de quem se foi.  Simplesmente porque no primeiro momento só conseguimos verificar que a pessoa se foi e com ela foi toda essa possibilidade de ser feliz.

Além desse sentimento de desamparo, ainda há a dúvida é: o que devo fazer agora, por onde começar?  Há uma burocracia a ser enfrentada; há os pertences da pessoa que faleceu – a casa, as roupas, os móveis… o que fazer com tudo isso?

Em primeiro lugar é preciso que você se respeite.  Respeite o seu momento de dizer adeus.   Despeça-se de tudo o que desejar.  Se quiser, fique com uma lembrança, um objeto… e aos poucos, de acordo com o seu tempo, vá pensando em destinos para tudo isso.  Peça auxilio para amigos e parentes no ato de mexer nas coisas da pessoa falecida – esse momento é sempre difícil, pois você olhará para uma roupa e se lembrará do passeio que fizeram, do que viveram juntos quando a pessoa vestia aquela peça, e tudo isso faz parte do que chamamos de luto.  E o luto nada mais é do que a conscientização de que a pessoa realmente se foi, e de que você permanece e, portanto, precisa dar seguimento para sua vida.

Permita-se ficar triste, chorar, relembrar, sofrer… esse é o momento da despedida e precisamos vive-lo.  Ninguém poderá vive-lo por nós, pois cada um terá o seu luto.

É muito comum pensamentos recorrentes de culpa, de arrependimento, de sofrimento por não ter dito algo que gostaria… e para isso será importante compreender que nós todos fazemos aquilo que conseguimos em cada momento.  E no momento seguinte conseguimos olhar para trás e pensar: puxa vida, deveria ter feito X coisa.  Mas reparou que só conseguimos ver isso depois que passa?  É porque não estávamos prontos, maduros emocionalmente para ver a situação antes… então não alimente esses pensamentos.  Eles podem vir, mas se não forem alimentados, ou seja, se você se propuser a buscar auxílio, a fazer coisas novas em vez de ficar sentado pensando nas mesmas coisas, certamente eles passarão.

E uma última situação é que, após começar a se sentir melhor, você precisa lembrar que sua vida continua.  Você tem outras pessoas que te amam, e que você ama também.   Você tem trabalho a fazer, tem sua vida para viver.

Vamos recordar o primeiro parágrafo da reflexão:  perdemos o sentido de fazer algumas coisas porque a pessoa que nos acompanhava não está mais aqui conosco, e aqui são dois pontos fundamentais, que não podemos esquecer por nenhum segundo:

  1. A pessoa física se foi, mas ela só morrerá quando você a esquecer. Manter memorias, lembranças, fotos, recordações da pessoa amada é muito saudável pois ela fez parte de sua vida e você não deve apagar essa página.
  2. Para superar essa perda será necessário construir novas relações com outras pessoas. Certamente haverá outras pessoas em quem você possa confiar, com quem você se sinta bem, que também te fazem feliz.

Mas espere!

Falamos em superar a perda, em doar as coisas, em buscar novas pessoas e construir com elas relações harmoniosas e felizes de amizade, de afeto.

Mas não estamos falando para SUBSTITUIR a pessoa que se foi – ela é insubstituível.  Todos nós somos insubstituíveis.

Falamos sim em seguir em frente, em pensar que sua vida está aí para ser vivida, e certamente, aquela pessoa que o ama e que se foi, não gostaria de te ver entregando os pontos.  Afinal, quando amamos, sempre queremos ver a pessoa feliz!

Então, é hora de pensar em como você está enfrentando esse momento:

  1. Sente-se triste, mas já voltou ao trabalho, as vezes Se pega pensando e até chorando, mas na maioria do tempo consegue desempenhar suas atividades – é um bom indício… você está triste pela perda, mas está reagindo muito bem a ela.
  2. Você ainda não conseguiu voltar ao trabalho, não consegue se concentrar, não tem vontade de comer, não está dormindo bem mesmo após uma semana do falecimento; é importante consultar um psicólogo para que possam avaliar o que está acontecendo com você. Uma avaliação profissional irá lhe auxiliar a compreender os motivos pelos quais está tão difícil vivenciar esse momento que é intenso, mas que também deve ser passageiro.

Ter alguém para conversar sobre seus sentimentos, que possa lhe acolher, sem julgar, e também lhe ajudar a fazer análises sobre sua forma de lidar com sua perda é muito importante.

Cabe aqui ainda ressaltar que as crianças também vivenciam o luto – algumas enfrentam de forma mais adequada e outras não.  É mais difícil que as crianças consigam se expressar e, portanto, precisamos ficar atentos aos sinais que normalmente se refletem na escola, seja em relação a desempenho, seja nos contatos sociais.  Uma conversa com os professores sempre é útil para avaliar se está tudo correndo bem.

Enfim, o ser humano tem grandes dificuldades em lidar com a perda, pois cada vez em que perdemos uma pessoa, a nossa finitude fica muito evidente; e pensar que não poderemos mais viver com nossos filhos, trabalhar no que gostamos, comer aquela comidinha preferida, estar perto de quem amamos… o sentimento de que isso pode acabar nos traz grande angústia…

Tenho então uma última questão:  você realmente está aproveitando TODOS os momentos da sua vida AGORA?

NÃO?!

Então está na hora de rever e de mudar tudo isso – só depende de você!

Aí eu me casei e me esqueci de algumas coisas tipo…

fazer-escolhas-e-necessario-1080x675

Doar-se é diferente de anular-se… e então comecei a ter alguns problemas.
Percebi que a vida a dois não é um conto de fadas como aprendi quando era menina. Foi por meio desses surpreendentes encontros entre o príncipe e a princesa que teci todos os meus sonhos de casar, ter uma família, ter filhos e viver muito feliz. Mesmo porque era assim que minha avó, minha tia, minha mãe, minha irmã, a sociedade inteira dizia que eu encontraria a felicidade.

Só que eu me casei, tive filhos e me dei conta de que não estava feliz! O que faltava então? Onde está essa felicidade tão difícil de conquistar? Foram inúmeros questionamentos até começar a compreender algumas coisas:

1. O amor é um sentimento construído. E sim, é preciso escolher para quem e com quem iremos construir esse sentimento. Ele não deve ser maior do que nós mesmos.
2. A união saudável entre duas pessoas deve ser natural, sem esforços desnecessários, sem provas, sem desesperos… apenas deve haver o respeito natural entre duas pessoas que se relacionam, e os sentimentos são recíprocos e genuínos.
3. Buscar a “tampa da panela”, “a metade da laranja” tem dois lados: o positivo é que devo buscar algo que seja da mesma natureza que eu, ou seja, combinar meia laranja com meio quiabo não daria muito certo, então é saudável a busca por uma pessoa semelhante; o lado negativo é que, se estou procurando algo que falta no outro, é sinal que também encontrarei alguém “faltante” – o que uma pessoa que não é completa pode compartilhar? É provável que ela também queira ser complementada.  Daqui surgem sentimentos de dependência que não são os mais indicados para um
relacionamento afetivo.
4. Filhos são pessoas que amo, e não devo depositar minhas expectativas ou sonhos neles. Eles têm o direito de ter os próprios sonhos. Irão crescer e querer viver a vida deles, assim como cada um de nós fez.
5. Além de ser mãe devo me lembrar que sou esposa, companheira, amiga, profissional e todos os demais papeis que eu assumi antes do casamento. Eles ainda existem e não é saudável abandoná-los, pois abandonar meus próprios sonhos significa ficar frente a frente com a frustração. E muitas vezes significa culpar o outro pelas minhas renúncias.
6. A história de até que a morte nos separe é verdadeira – pois podemos ter morrido há muito tempo, e estarmos em pé somente por uma sobrevida. E eu não quero só sobreviver… quero que as coisas renasçam para mim.

Foi então que percebi que havia me esquecido de mim mesma. Esquecido de que mais do que estar à disposição para a família, devo estar à minha disposição.

Devo lembrar o que me faz feliz e buscar isso. Devo me dedicar à minha família, mas não abrir mão da minha vida em prol da vida de todos eles. Escolhas são necessárias, mas anular-se não é escolher.

Anular-se é deixar de saber quem eu sou, deixar de pensar no que quero, no que gosto e em como poderei me satisfazer.

Anular-se significa inutilizar, invalidar, abolir, cancelar qualquer possibilidade de ser feliz.
Mas em nome do amor pela família não percebo que estou fazendo isso, e simplesmente sigo em frente, procurando faze-los felizes.

Então, se algum dia você se deparou com um sentimento de vazio, com o excesso de “exigências”, com um peso extremo sobre os ombros… talvez seja essa a hora de se questionar: Quem eu sou mesmo?

E ir em busca das respostas.

Tenho câncer: como contar para minha família e amigos?

descobri-que-tenho-cancer-1080x675Receber o diagnóstico de câncer é uma notícia muito impactante.  O diagnóstico traz em si a ideia de finitude, de perder tudo o que temos de bom na vida, nosso amor pelas pessoas, e um grande vale se abre dentro do peito, o coração fica apertado, a cabeça rodando e os pensamentos confusos…

É comum observarmos reações iniciais de revolta, questionamentos do tipo: mas por que eu? O que fiz para merecer isso? Mas nenhuma delas receberá resposta.

Mas é preciso compreender que, mais do que o medo do amanhã, é preciso que você cuide do que existe HOJE.  E hoje existe uma pessoa que precisa de atenção, apoio e muitas vezes compartilhar sua dor, seus anseios.

O mais importante a fazer nesse momento é exatamente buscar o apoio das pessoas em quem você confia e que te amam.  E sem dúvida alguma será necessário ser forte o bastante para assumir seus medos, suas angústias, seus sonhos, suas frustrações e ACEITAR receber o amor do outro.  Pois dizer que tem câncer, significa se deparar com todos esses medos, e será muito importante poder compartilhar tudo isso com quem você ama.

O diagnóstico de câncer obviamente não é igual a uma dor de dente que você chega em casa e diz para seu par: fui ao dentista e terei que fazer um canal, marquei para amanhã e logo depois tudo estará resolvido.  A doença implica em um processo longo que vai da hipótese diagnóstica até a confirmação do mesmo, passando pelos tratamentos possíveis, e as vezes mais de uma modalidade, pois nem todos respondemos da mesma maneira aos tratamentos, até chegar aos exames pós tratamento.  Tudo isso envolvendo grande ansiedade em todos os envolvidos.  Nada mais justo que as pessoas saibam o que esperar de tudo isso, então não hesite em envolver as pessoas e pedir auxílio para que vocês conheçam o máximo sobre tudo o que virá pela frente.

Porém não há ninguém melhor para nos dar esse apoio do que nossa família e nossos amigos.  Então o primeiro passo é: sim, você deve contar a estas pessoas pelo que está passando.  E contar significa dizer que foi ao médico, o que o médico suspeita ou como ele descobriu, e sobre os tratamentos que já estão previstos.

O segundo passo é compreender que as pessoas reagirão de formas as mais variadas possíveis:  alguns vão de desesperar, outros vão te dar a maior força, outros se farão de fortes, outros serão fortes, outros não saberão simplesmente como agir… e você, a pessoa mais interessada em tudo isso é quem irá dar o “rumo da conversa”.  Você é quem deve mostrar às pessoas como quer ser tratado (a), que tipo de auxilio ou apoio você irá precisar, como poderão estar a seu lado e ser uteis.  Algumas sentirão pena, ficarão com aquele olhar parado como quem diz: meu Deus como faremos no Natal sem você?  E outros tentarão achar uma forma descontraída e otimista de ver as coisas.

Mas uma coisa é inevitável: as pessoas que você ama sofrerão com a notícia, mas não será diferente do que você está passando.  Será preciso compreender neste momento que o sofrimento faz parte da vida.  O que irá diferenciar as nossas vidas é a forma com que lidamos com o sofrimento.  E se você, sua família e seus amigos conseguirem compartilhar tudo isso, será menos complicado para todos.

A notícia para os filhos também é importante, pois eles perceberão as mudanças e será muito pior esconder.  As crianças aprendem conosco sobre como lidar com situações difíceis.  Portanto vale lembrar que tudo dependerá de como você passará as informações.  Para os filhos é adequado passar tranquilidade em relação ao diagnóstico e esclarecer as dúvidas tanto sobre a doença quanto em relação ao futuro, sobre o tratamento, o mau humor, as dores inevitáveis, os dias necessários de descanso, e tudo o que virá.  É muito natural que as crianças e adolescentes sintam muito medo de perder seu ente querido, então uma visão otimista sobre o tratamento será muito bem-vinda para não criar outros problemas além dos já existentes.

Não há uma formula mágica para se dar uma má noticia (e qq doença é uma má noticia).  Simplesmente porque independente da forma, a notícia será a mesma.  O que existe é a maneira que iremos olhar para a vida depois da notícia que recebemos.

Há na medicina atual grandes avanços em relação ao câncer e a melhor maneira de encarar um diagnóstico é buscar conhecer o máximo sobre sua doença, é poder falar sobre ela e sobre o tratamento em casa sem preconceitos (como o preconceito de que quem tem câncer já morreu), pois será por meio da proximidade da família, dos amigos e de toda a equipe médica que o paciente, nos momentos mais complicados, poderá ter nessa rede de apoio um combustível para resgatar suas forças e energias para seguir em frente.

O caminho pode ser árduo, mas ninguém disse que você não poderá chegar lá.  E o mais importante é você saber que não precisa chegar sozinho (a).  Conte com as pessoas a seu lado, com a satisfação de saber-se amado (a), querido (a), e permita que as pessoas estejam com você.  Se sentir dificuldades em caminhar só, busque apoio psicológico.  A terapia serve para que possamos descobrir diferentes formas de lidar com as mesmas situações.  Serve para conseguimos ver caminhos anteriormente encobertos.

Mas principalmente neste momento de dificuldade, não se isole.  Busque apoio e divida as angústias, elas certamente se tornarão mais leves para você.

4 Passos para introduzir a leitura na família

leitura-em-familia

Você acredita que ler é importante?

Na atualidade a leitura é a principal instrumento para o aprendizado de todos nós, sejamos crianças ou adultos.

Mas como fazer para introduzir o hábito da leitura?

Os passos a seguir tornam muito maior a chance conquistarmos alguém para o mundo da leitura. E isso significa que teremos pessoas mais bem preparadas para enfrentar os desafios da vida.

Cabe ressaltar que para proporcionar uma boa experiência com a leitura, é importante que você primeiro conheça o material, e assim poderá oferecê-lo de maneira mais adequada.

Vamos aos passos:

  1. Introduzir a leitura respeitando os limites de idade, nível de alfabetização e de compreensão do conteúdo.

Bebês

A partir do momento que já consigam segurar coisas você poderá introduzir os livros.

Para qualquer outra idade é possível fazer com que a pessoa passe a gostar de ler, a partir das experiências que ela tiver com a leitura

  1. Fazer do livro/revista um objeto de interesse

Bebês

Os livros devem ser de plástico, de pano, coloridos – de materiais e texturas que possam manipular, colocar na boca, puxar, sem causar danos ao material. O livro deve ser introduzido aos bebês como um brinquedo, portanto não deve haver a preocupação de ler o livro para a criança. Deixe-os brincar, conhecer e se satisfazer com o material. O próprio abri e fechar já é uma grande diversão.

Não alfabetizados

O material deve conter temas de interesse do indivíduo.

Nesta situação já devemos fazer uma leitura em conjunto.

Para as crianças devemos dar preferência aos livros com mais figuras do que letras.

Os gibis podem ser utilizados a partir dos 3 anos, pois muitos deles são autoexplicativos pela própria sequência de imagens e normalmente tem personagens que agradam muito aos pequenos.

Antes da leitura propriamente dita, deve ser feita a apresentação do material, deixar que pegue, folheie, e se já começar a observar as páginas e “lê-las” você já pode dar continuidade no processo, apresentando a sequência de informações.

Para os pequenos de até 4 anos, o nível de concentração é menor, e é muito natural que comecem a leitura e a depender do livro a interrompam. Não há nenhum problema com isso. O objetivo inicial, como ainda não são alfabetizados, é que tenham experiências positivas com os livros, que seja gostoso poder manipula-los, reconhecer neles personagens de que gostam, ouvir estórias divertidas.

A leitura em conjunto preferencialmente deve ser feita com a teatralização, ou seja, aproveite para relembrar de sua criança interior e leia com vozes diferentes, faça cara de mal se for um vilão, coloque vida nos personagens.

A criança também pode querer continuar a estória utilizando-se da imaginação. É extremamente saudável incentivar e compartilhar ideias e sequencias do conteúdo.

Alfabetizados de qualquer idade

Se entregarmos a qualquer pessoa um livro com tema que não é de seu interesse, com 575 folhas, com letrinhas miúdas e com termos técnicos que a pessoa não entenda, posso assegurar que esta pessoa não terá nenhum interesse em folhear o livro.

Fazer do livro uma fonte de descobertas é um grande segredo para introduzir a leitura aos mais velhos. Questionar sobre um assunto e oferecer o livro como resposta pode ser bastante instigante.

É importante buscar materiais menos extensos inicialmente, as vezes a introdução da leitura pode ser feita com revistas, folhetos.

  1. Compartilhar o que aprendeu

Melhor do que uma boa leitura, é contar para o outro o que aprendi, e principalmente sentir que o outro tem interesse em me ouvir.

Para qualquer idade o incentivo à leitura não termina quando presenteamos a pessoa com um livro, mas é importante continuar participando da leitura. Se você já conhece o material poderá compartilhar suas percepções.

Ressalva: É importante não fazer de um gostoso diálogo, um grande interrogatório.

Incentive a discussão falando de suas percepções, das novas ideias que teve, do que mais gostou… mas tudo isso dentro de um contexto. Por exemplo: se presenteou seu filho com um livro sobre animais, você poderá aproveitar um comercial de TV em que apareçam animais para fazer um comentário do tipo: sabe que li naquele livro que te dei que os Pandas se alimentam de brotos de 30 espécies de bambus! Nossa eu nunca imaginei tanta espécie de bambu assim… você já sabia disso?

Fazer menção sobre coisas que tenham aprendido porque leu em algum lugar também é muito positivo, pois dá a dica para a pessoa de onde ela poderá buscar mais conhecimentos.

  1. Dar o exemplo

Os itens acima são em grande resumo, itens que nos facilitam a introduzir o habito de leitura. Mas para a manutenção deste hábito não há outra forma além do exemplo.

Quando a criança observa seus pais lendo, pesquisando, aprendendo e utilizando esse conhecimento na prática, ela se torna mais independente na busca de informações e certamente terá mais chances de copiar este hábito.

“Quem pensa que não gosta de ler ainda não encontrou o livro compatível com suas paixões.”

AUTOR DESCONHECIDO

Como as crianças se comunicam

comunicacao-crianca

Os bebês desde quando nascem já se comunicam conosco.

Inicia-se através do choro que tem suas tonalidades diferentes para cada situação: cólica, sono, fome, birra – sim! Bebês muito pequenos já fazem birra! E a birra nada mais é do que a manifestação do bebê de reivindicar algo que ele tem necessidade e que lhe foi tirado.

Aos poucos, com a introdução da linguagem, as primeiras palavras começam a mostrar para nós o que o bebê está sentindo ou desejando.

Vale lembrar que toda a comunicação das crianças é feita a partir de seus sentimentos, e sim, precisamos entender e respeitar os sentimentos deles – o que não significa ceder ao que eles querem a todo momento.

Uma das formas de expressão que mais incomodam os pais são as formas de expressões agressivas como bater ou morder.

Vou descrever em tópicos algumas questões para ficar mais objetivo:

  1. Estas formas de expressão ocorrem normalmente a partir do momento em que a criança começa a se movimentar sozinha e vai até os 2 ou 3 anos – dependerá também de como corrigiremos os comportamentos inadequados e de como ensinaremos à criança uma nova forma de expressão – mais adequada. Só dizer: não pode! Não morde o amigo! Não bate na mamãe! Isso só ensina para a criança o que ela não pode fazer. Desde muito pequenos, por mais que pensemos que a criança não esteja entendendo, o mais adequado é dizer como deve ser feito e o que não é legal fazer pelas consequências que isso causa.

Exemplo:   Quando a gente quer um brinquedo a gente pode pedir: dá pra mim, porque se morder o amigo isso faz dodói nele. Claro que a criança tentará fazer isso e com outros da mesma idade dificilmente ela conseguirá o brinquedo – pois todos eles estão na mesma fase – mas é importante ensinar o adequado sempre. E isso terá que ser repetido por muito tempo.

  1. Ainda não há compreensão da situação por parte dos pequenos. Eles não entendem o que é perigoso e por isso não podem pegar, ou que é meu ou seu, ou que aquele objeto não irá sumir se ele largá-lo agora. Então fica mais complicado de que eles entendam isso agora e não repitam mais. Por isso a necessidade de repetição infinitas vezes.
  2. Há uma necessidade imperativa para crianças – eles querem AQUELE objeto e AGORA! Isso porque estão percebendo seu corpo, estão aprendendo que podem interagir com o mundo e a maneira de fazer isso é por meio da manipulação dos objetos. E desde pequenos não queremos que alguém nos tome algo que nos traz sensação de ESTOU CONSEGUINDO FAZER! Basta pensar em como nos sentiríamos frustrados se em nosso trabalho, numa atividade esportiva, numa situação de superação de nossos medos estivéssemos quase lá, faltando pouco para conseguir realizar nosso objetivo e chegasse alguém e dissesse: já chega, acabou! E interrompesse o processo. Isso geraria muita frustração em qualquer um, em qualquer idade. É isso que a criança sente quando alguém lhe tira um objeto que deseja, ou faz com ele algo que ele não quer.
  3. Cabe ressaltar que sim, as crianças sentem frustração, medo, tristeza, ansiedade, depressão, raiva, amor, e todos os demais sensações físicas inclusive que sentimos como adultos. Porém as crianças ainda não aprenderam a identificar, nomear e expressar adequadamente estes sentimentos. E por isso, na maioria das vezes expressam o que sentem com formas agressivas como bater, morder, empurrar, tomar do outro, pois estes são os comportamentos que estão mais desenvolvidos – o ir até o objeto e pegar, retirando os obstáculos da minha frente. Aos pais e também à escola (considerando que hoje as crianças passam o período de 8 a 12 horas na escola) cabe a difícil missão de ensina-los a como identificar o que sentem, nomear este sentimento, avaliar a causa deste sentimento e valorizar o sentimento. A partir disso, entendendo como este sentimento foi causado, também é possível ensinar para as crianças como elas podem reagir a este sentimento e também evitar de que essas sensações ocorram no futuro.

Exemplos:

AMOR

Inadequado: os pais veem aquele corpinho roliço e delicioso e dizem: vou morder esse neném gostoso. Isso é uma forma que nós adultos resgatamos lá da primeira infância sobre como expressar nossos sentimentos de amor. Neste caso inclusive é uma forma de expressão de afeto que pode ser modelo para a criança que até quando gosta do amigo vai morde-lo, por ser um modelo aprendido pela observação dos pais.

Adequado: os pais abraçam, beijam, dizem que amam, sem nenhuma relação com coisas que o filho faça. Não relacionar a boas ações do filho é importante pois faz com ele perceba que mesmo se fizer algo errado, os pais ainda o amam.

MEDO/FRUSTRAÇÃO

Inadequado: a criança caiu no chão em vez de se equilibrar quando foi brincar no escorregador. Os pais dizem: ah.. levanta, não foi nada. Em algumas situações a criança se irrita, chuta o chão, agride a quem vai tentar ajudá-lo. Ao que normalmente os pais respondem: para com isso!

Adequado: encorajar a criança dizendo que algumas vezes conseguimos fazer as coisas de primeira e às vezes temos que tentar para fazer melhor e melhor; incentivar a tentar novamente e instruir em como deve colocar as perninhas, em como diminuir a velocidade caso perceba que está indo rápido. Caso a criança resista não é legal insistir e sim dizer que quando ela quiser ir você poderá ajudá-la a treinar. Se houver reações agressivas pode dizer: é realmente muito chato quando a gente quer fazer algo e não consegue. Mas sempre dá pra gente tentar novamente – e deixe a criança escolher.

  1. Quanto mais atenção darmos aos comportamentos agressivos, mais eles irão aparecer. Nessas situações quanto menos falarmos melhor serão os resultados. Uma pequena correção já é o suficiente. Basta nos colocarmos no lugar das crianças: quando estamos frustrados, chateados ou irritados, o que menos queremos é um loooongo discurso. Portanto o necessário é dizer: quando você quiser a chupeta/o brinquedo, o paninho é só pedir para a mamãe, assim vou saber o que você quer – e para dar o exemplo, o que é necessário para os mais pequeninos – é só dizer: mamãe, dá teta (ou a expressão usada pela criança para chupeta). Neste exemplo não citamos para a criança que ela mordeu a mão da mãe, ou que ela foi lá tomar a chupeta do amigo, mas colocamos foco no que é mais adequado.
  2. As crianças precisam aprender a lidar com a frustração. Não podemos tudo o que queremos e não temos tudo o que desejamos. Embora o sentimento inicial da criança seja exatamente o oposto disso, teremos que ensina-la que nosso mundo é frustrante. Que ela terá que esperar sua vez para receber o lanche, entrar na fila para sua vez de ir no brinquedo, esperar a mamãe terminar de jantar para pegar o suco, etc etc. Cabe aos pais principalmente no início da vida dos bebês entenderem que, embora o sentimento de urgência em satisfazer as necessidades daquele bebê, é preciso ter calma e tranquilidade para lidar com essas “exigências”. Se a cada suspiro do bebê nós corremos a satisfazê-lo, isso pode gerar uma grande dificuldade para a própria criança quando ela cresce um pouco mais. Aprender a esperar é fundamental para os pequenos, pois quando eles aprendem isso, fica mais fácil de ensinar que agora é hora do amigo brincar com aquele brinquedo e depois é você. Caso não saibam esperar continuarão querendo tudo agora. Na escola este comportamento é melhor estabelecido pelas regras necessárias para o cuidado de todos. Em casa as vezes é mais difícil de estabelecer alguns parâmetros, mas é necessário.
  3. Acima de tudo precisamos respeitar o tempo de desenvolvimento das crianças. Algumas apresentam raramente os comportamentos de morder ou bater, outras apresentam mais frequentemente. Tudo depende também de quando a criança interage com as outras. Uma criança que interage mais, o que é excelente, tende a apresentar mais esses comportamentos pois estará exposta a situações de disputas de brinquedos com maior frequência.

CHEGA DE FRUSTRAÇÃO E DESESPERO

Sem dúvidas, em reconhecimento ao sentimento dos pais, é FRUSTRANTE receber da escola a informação que nosso filho não se comportou bem, afinal todos nós queremos ter filhos perfeitos.

Mas em hipótese alguma isso deve ser motivo para DESESPERO.

As crianças, por inúmeros motivos são diferentes e têm tempos diferentes. Algumas são mais caladas mas conseguem impor respeito junto dos colegas, outras são as vítimas das mordidas, outras são os agressores mais frequentes, outras são mais agitadas, enfim… há uma diversidade de comportamentos. O mais importante é que estejamos atentos ao desenvolvimento destes comportamentos.

Interagir com a escola para saber quais as reações da criança ao ser corrigida. Corrigir em casa em todas as manifestações agressivas – mesmo com os brinquedos da criança como quando ela bate na boneca, ou bate os carrinhos, e observar suas reações. Se a criança demonstra que percebe o que lhe é falado, muda de comportamento inicialmente e volta a fazê-lo, é perfeitamente normal. As vezes a criança inclusive fica mais agressiva depois da repreensão – isso é sinal de que nós a irritamos mais ainda, então será necessário pensar em outras maneiras de ensiná-la. Uma atenção maior só é necessária quando se percebe que a interferência do pai ou da escola não traz nenhum tipo de mudança de comportamento, nem no momento nem posterior à repreensão. Quando a criança não faz contato visual, quando não interage com quem fala com ela – aí neste caso vale a pena uma avaliação profissional.

O mundo infantil é fantástico, misterioso e desafiador. Como pais precisamos enfrentá-lo com calma, persistência e muito, muito amor – esse será o nosso combustível!

Se tiver dúvidas ou questões, me envie um e-mail e lhe responderei.

Luto Infantil

luto-infantil-853x675

Quando falamos em luto, a primeira coisa que precisamos pensar é que TUDO MORRE, TUDO UM DIA ACABA.

O peixinho que ganhei de presente… morre.

O cachorrinho… morre.

A plantinha… morre.

O papai, a mamãe, o vovô, a vovó…morrem.

O lápis de cor que eu mais gosto… acaba… é como se morresse.

O bolo de chocolate acaba…

O meu melhor amiguinho na escola um dia vai embora… então um dia acaba.

Temos inúmeras situações em que a criança passará pela FINITUDE o que segundo o Dicio¹ significa: Característica, particularidade ou condição do que é finito. Que tem um fim.

Portanto a morte, o fim, o acabar, fazem parte da vida. É uma consequência de um tempo em que tivemos a pessoa, animal ou objeto em nossa companhia.

É claro que, se foi uma boa companhia, sentiremos falta, muita falta! E a criança também sentirá muita falta…

O processo de luto pode ser considerado como o período em que a família terá para se adaptar ao cotidiano, na ausência daquela pessoa ou animalzinho de estimação.

Portanto quando se diz que que o luto precisa ser vivenciado, elaborado, o fundamental é entender é que esse processo é inevitável e será importante ser vivenciado e não escondido, ou camuflado, como se não estivesse acontecendo.

Mesmo que ainda muito pequenas, as crianças identificam a presença das outras pessoas, e mesmo que elas não saibam falar, podem apresentar outros comportamentos para expressar a falta do que vivenciavam com a pessoa que se foi. Perda de apetite, agressividade não habitual, apatia, tristeza, isolamento, perda de interesse inclusive pelos brinquedos preferidos – principalmente se eram compartilhados com a pessoa que se foi, dentro outros.

Os pais devem agir com o máximo de naturalidade em relação ao evento. Não mistificar, não esconder e tentar explicar da melhor forma que a cultura, religião e ética seguida pela família conceber. Um desenho infantil que trata o assunto de maneira singela e serena é o FESTA NO CÉU. Entretanto as famílias podem fazer uso de seus conteúdos religiosos para explicar o acontecimento.

A criança não pode ser excluída simplesmente do fato. Ela precisa saber que pode falar sobre o assunto, que é normal sentir saudades, que pode chorar, que pode lembrar, e precisa ter nos pais o apoio sobre como agir com estes sentimentos de perda. É preciso que ela se sinta à vontade para expressar seus sentimentos e não receosa ou abandonada neste momento. Fazer de conta que nada aconteceu na tentativa de proteger a criança pode ser interpretado por ela com abandono, tendo em vista que os pais apresentarão formas de comportamentos não habituais como tristeza, apatia, etc.

Nos exemplos do início do texto percebemos inclusive como é importante tratar a finitude em todas as questões com a criança. Quando um brinquedo quebra (morre) ele não deve ser substituído. O ideal é que a família aproveite este evento para discutir sobre o cuidado e responsabilidade com seus pertences, sobre os sentimentos gerados pela perda do brinquedo e também sobre as possibilidades que ainda restam para a diversão e alegria, mesmo que o seu brinquedo preferido tenha se quebrado.

Por meio destas discussões com a criança, ela criará modelos de comportamentos e de alternativas para utilizar em todas as situações. E cada vez em que se deparar com situações de finitude, poderá discutir novas alternativas.

Desta maneira, ao longo de seu desenvolvimento, estará mais preparada para enfrentar a falta de pessoas muito queridas e que fatalmente um dia deixarão seu convívio.

A morte ainda é tratada como tabu exatamente pela dificuldade de lidarmos com a perda principalmente de pessoas queridas; por não sabermos como seguir em frente quando nos deparamos com o vazio deixado por quem se foi. Este vazio é na realidade o fruto da relação estabelecida entre as pessoas, dos encantos e desencantos da relação, dos prazeres, das conquistas em conjunto. Porém é necessário aprendermos sobre a finitude e ensinarmos que mesmo com dificuldades, mesmo nos sentindo tristes e sem forças, precisamos continuar em frente. E se não tivermos este preparo, muito provavelmente não conseguiremos preparar nossos pequenos para enfrentar estas situações.

Como pais, educadores, cuidadores responsáveis, precisamos nos preparar para estes momentos em que nosso equilíbrio emocional será exigido, onde nossos limites serão testados, nossas crenças questionadas… e que sem dúvidas também será para nós um grande processo de aprendizagem.

Sentir tristeza é normal, saudades é muito bom, e lembranças são inevitáveis. O importante é perceber que podemos e devemos nos expressar para as crianças, pois esta é a melhor forma de aprendizagem e de estabelecimento de vínculo de confiança que podemos ter.

E sem dúvidas que, percebendo que os sentimentos de tristeza, isolamento, apatia perdurem por um tempo demasiado, ou tomem conta da maior parte do dia da criança, é sempre bom buscar apoio profissional para uma avaliação mais detalhada.

¹ DICIO – Dicionário On line de Português