Aí eu me casei e me esqueci de algumas coisas tipo…

Doar-se é diferente de anular-se… e então comecei a ter alguns problemas.

Percebi que a vida a dois não é um conto de fadas como aprendi quando era menina. Foi por meio desses surpreendentes encontros entre o príncipe e a princesa que teci todos os meus sonhos de casar, ter uma família, ter filhos e viver muito feliz. Mesmo porque era assim que minha avó, minha tia, minha mãe, minha irmã, a sociedade inteira dizia que eu encontraria a felicidade.

Só que eu me casei, tive filhos e me dei conta de que não estava feliz! O que faltava então? Onde está essa felicidade tão difícil de conquistar?

Foram inúmeros questionamentos até começar a compreender:

1. O amor é um sentimento construído. E sim, é preciso escolher para quem e com quem iremos construir esse sentimento. Ele não deve ser maior do que nós mesmos.

2. A união saudável entre duas pessoas deve ser natural, sem esforços desnecessários, sem provas, sem desesperos… apenas deve haver o respeito natural entre duas pessoas que se relacionam, e os sentimentos são recíprocos e genuínos.

3. Buscar a “tampa da panela”, “a metade da laranja” tem dois lados: o positivo é que devo buscar algo que seja da mesma natureza que eu, ou seja, combinar meia laranja com meio quiabo não daria muito certo, então é saudável a busca por uma pessoa semelhante; o lado negativo é que, se estou procurando algo que falta no outro, é sinal que também encontrarei alguém “faltante” – o que uma pessoa que não é completa pode compartilhar? É provável que ela também queira ser complementada. Daqui surgem sentimentos de dependência que não são os mais indicados para um relacionamento afetivo.

4. Filhos são pessoas que amo, e não devo depositar minhas expectativas ou sonhos neles. Eles têm o direito de ter os próprios sonhos. Irão crescer e querer viver a vida deles, assim como cada um de nós fez.

5. Além de ser mãe devo me lembrar que sou esposa, companheira, amiga, profissional e todos os demais papeis que eu assumi antes do casamento. Eles ainda existem e não é saudável abandoná-los, pois abandonar meus próprios sonhos significa ficar frente a frente com a frustração. E muitas vezes significa culpar o outro pelas minhas renúncias.

6. A história de até que a morte nos separe é verdadeira – pois podemos ter morrido há muito tempo, e estarmos em pé somente por uma sobrevida. E eu não quero só sobreviver… quero que as coisas renasçam para mim.

Foi então que percebi que havia me esquecido de mim mesma. Esquecido de que mais do que estar à disposição para a família, devo estar à minha disposição.

Devo lembrar o que me faz feliz e buscar isso. Devo me dedicar à minha família, mas não abrir mão da minha vida em prol da vida de todos eles. Escolhas são necessárias, mas anular-se não é escolher. Não posso esquecer de mim.

Anular-se é deixar de saber quem eu sou, deixar de pensar no que quero, no que gosto e em como poderei me satisfazer.

Anular-se significa inutilizar, invalidar, abolir, cancelar qualquer possibilidade de ser feliz.

Mas em nome do amor pela família não percebo que estou fazendo isso, e simplesmente sigo em frente, procurando faze-los felizes.

Então, se algum dia você se deparou com um sentimento de vazio, com o excesso de “exigências”, com um peso extremo sobre os ombros… talvez seja essa a hora de se questionar: Quem eu sou mesmo?

E ir em busca das respostas.

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